Numa dessas avenidas da cidade, um cavalo visivelmente suado, cansado, provavelmente andando o dia todo abaixo de sol sem um gole de água sequer, puxava bravamente uma carroça com muito entulho. Diante daquela cena, uma voluntária desceu do carro, interceptou o homem, e com voz de indignação o fez tirar a metade do entulho e levar
Num outro dia chuvoso, duas voluntárias passaram por um carroceiro e perceberam que o cavalo estava ferido e assim mesmo puxando peso. No mesmo minuto uma delas desceu do carro, e mesmo com vestido curto e sandália de salto, deu voz de renúncia àquela cena, fez o dono desvencilhar o cavalo e tirá-lo da carroça. Mas o que fazer com o animal? Levar para o CAPA. E assim foi a jornada, a pé, de vestido e salto, molhada de chuva, mas um cavalo a menos sofrendo nas ruas. Pelo menos naquele momento.
E falando em chuva, num bairro da cidade, além de estar descendo água do céu, também vinha descendo de uma rua um homem que mal se mantinha em pé, puxando um boxer com uma corda muito curta. O cão, que ao mesmo tempo tentava se aliviar do enforcamento, ainda equilibrava o tal cidadão. Lógico que vendo isto as voluntárias pararam e abaixo de chuva negociaram o cachorro com o sujeito que se encontrava visivelmente alcoolizado. Entre tombos e mal criação, ele acabou entregando amigavelmente o sujo e molhado animal, que lógico, foi colocado dentro do carro e levado para a casa de uma delas. Hoje o boxer tem um novo lar e é o guardião fiel do seu novo dono.
Cães abandonados em casas à venda viraram rotina para quem é voluntário. As pessoas querem que os animais cuidem do patrimônio e que ao mesmo tempo vivam somente de vento e chuva. Então os vizinhos indignados com isso, denunciam tal maldade, e lá se vai pular muro, escalar grades, e passar o bicho por cima do portão para levá-lo ao veterinário. É indignante a ingratidão das pessoas aos seus animais.
Mas num desses resgates, o cão deixado para traz era grande, e apesar de doente e fraco continuava bravamente a cuidar da casa abandonada. Pegá-lo e colocá-lo no porta-malas do Gol não foi fácil, mas foi feito, porém durante o caminho o bicho começou a bater na tampa que poderia se abrir e então se soltar dentro do carro. Então, por que não pedir ajuda a quem sempre é valente também. Deu-se meia volta e chegaram até o corpo de bombeiros mais próximo para pedir ajuda. Então um dos soldados acompanhou as voluntárias até o Hospital Veterinário segurando a tampa do porta-malas para o cão não abrí-la, assim ninguém ficou ferido com o resgate.
E é nessas ações de resgates e denúncias que encontramos pessoas de várias idades e classes, que encaram o voluntariado como salvação ou ameaça, sem perceber que as suas más atitudes contra os animais estão revoltando a todos ao seu redor. Já recebemos ameaça de morte de sujeito que mal tratava seus cães e que meses depois foi preso por esfaquear um vizinho. Também fomos recebidos com hostilidade por um homem ao recebermos denúncia que sua cadela doente apanhava amarrada e que no mesmo dia ele a matou com dois tiros (o primeiro só a feriu) e ainda ameaçou os vizinhos com a arma caso alguém contasse. Acabou na polícia por porte ilegal de arma e tentativa de homicídio da esposa. Então, o respeito que se dá à vida deve ser projetado a todos os seres vivos. Como diz o provérbio: "Quem não valoriza um, não é digno de um milhão". Se o homem não é capaz de respeitar um ser vivo simples e puro, não conseguirá ver o valor que ele mesmo tem, e nem mesmo o valor do próximo.
Como você poderia ajudar o CAPA?
- adotando um cão para lhe oferecer uma vida digna;
- doando materiais de construção, materiais de limpeza, casinhas, ração para filhotes ou adultos, medicamentos, jornais, papelões.
- doando qualquer quantia em dinheiro na conta do Banco Banrisul agência-0917, cc 060837950-4.
Entre em contato: www.capapf.com.br